26 novembro 2010

Siena, a cidade do Palio


Quem chega à noite em Siena, na região da Toscana, atravessa suas majestosas muralhas e percorre suas ruas antigas e tortuosas cheias de mistérios e de encanto até a Piazza del Campo, centro da história da cidade através dos séculos, encontra a mais linda jóia da arte medieval italiana na riqueza de seus mármores e mosaicos, tendo a sensação de ter penetrado num mundo de sonhos.


No silêncio da noite, a cidade parece que esconde o que tem de atual e de moderno. Paira no ambiente apenas o perfume
medieval da qual ela foi um glorioso expoente, hoje é seu fiel testemunho. Siena foi na Idade Média um dos centros mais florescentes da Itália, pelo valor militar e pelos gênios artísticos nascidos nessa terra. Mas foi também pelo espírito católico que deram à Igreja Santa Catarina e São Bernardino.

Teve expoência na civilização cristã, mas hoje a cidade é
apenas um retrato do que foi. Contudo, duas vezes por ano Siena revive; os habitantes retomam os trajes antigos e as corporações de artesãos ressurgem. Bandeiras medievais são hasteadas, ouvem-se trombetas e tambores de guerra e, como que saído por encanto de alguma iluminura, um esplêndido cortejo entra na Piazza del Campo ante os olhos maravilhados dos espectadores. É a Festa do Pálio, realizada tradicionalmente desde o século 14 quando Siena volta ao passado, oferecendo uma visão encantadora da alma guerreira, artística e religiosa da Idade Média.




A Piazza del Campo é o coração da cidade, rodeada de dois palácios e de velhas mansões. Por ocasião da corrida
demarca-se uma larga pista entre os edifícios e o centro da praça, que exige grande perícia dos jóqueis. Mas o Pálio não é apenas uma festa esportiva e guerreira, é também uma comemoração religiosa. A primeira corrida se realiza no dia 2 de julho em honra da Madonna di Provenzano e a segunda a 16 de agosto, em louvor de Nossa Senhora da Assunção.




Esta especial devoção com a Mãe de Deus, a quem elegeram como Padroeira da cidade, tem origens muito antigas. Nos tempos do apogeu militar, partindo para a guerra, eles ofereciam a Nossa Senhora as chaves das nove portas de Siena para alcançarem sua proteção no combate. Em agradecimento pelas vitórias conquistadas, erguiam capelas e oratórios.

Na véspera da batalha de Monteaperti dedicaram a cidade a Nossa Senhora da Assunção - Madonna dell'Assunta - e lhe
consagraram a catedral. Nos fins do século 16, quando uma terrível peste assolou a região, o povo mais uma vez voltou-se para sua protetora mas não pôde entrar na catedral para oferecer seus votos, porque dentro havia uma disputa terrível entre os cônegos e as portas estavam fechadas. Acorreram a Nossa Senhora de Provenzano, cuja imagem ficava entre duas janelas de uma humilde morada na Via dei Provenzani di Sotto e que já operara milagres. A Virgem atendeu às suas preces. Desde então a solenidade de Nossa Senhora de Provenzano se tornou a principal festa religiosa de Siena.



Embora o espírito religioso atual é bem menos intenso que o de antigamente, o Pálio é realizado em louvor de Nossa Senhora. O único prêmio ao vencedor da corrida é um estandarte - Palio - pintado a mão, com a imagem da Madonna de Provenzano ou da Assunção. Por isso a corrida se chama Palio e também a esse evento está relacionado o nome do modelo Palio da Fiat. A festa tem lindas cerimônias e símbolos religiosos e, muitas outras peculiares a cada "contrada", nome que se dá aos 23 grupos que participam da corrida representando os bairros de Siena.

Siena é uma das cidades mais velhas do mundo. Foi na Antiguidade um centro etrusco, depois gaulês e por fim romano. Nos primórdios da Idade Média era constituída por três povoações em redor de outros tantos castelos: Castel Vecchio, Castel di Val di Montone, agora convento dos Servos de Maria e Castellare de Camollia, já desaparecido. Em torno desses pequenos burgos os povoados cresceram até se encontrarem em torno da Piazza del Campo que se tornou o centro de Siena, onde está o Palazzo Pubblico com a torre Mangia de 102 metros de altura.



Seu sino marcava a vida da cidade, soando alegre nas festas, fúnebre nas calamidades e vibrante ao chamar para a guerra. Sucederam-se séculos de glória militar e de florescimento artístico. A peste negra de 1348 matou 65.000 dos seus 100.000 habitantes e a ação dos autocratas, dos Viscontis aos Médicis interromperam o desenvolvimento urbano e cultural da cidade.


Atualmente Siena tem aspecto semelhante ao dos séculos 13 e 14, sendo famosa pelas faculdades de Direito e Medicina, uma das mais prestigiadas universidades italianas fundada em 1240.



20 novembro 2010

Pesaro



Na costa do Mar Adriático, Pesaro não é muito conhecida pelos turistas estrangeiros, mas é muito popular entre os italianos que desfrutam de suas praias. É a segunda maior cidade da região de Marche que possui, além de belas praias, uma interessante história a ser explorada e belas arquiteturas para serem admiradas. 






Ao longo da praia existe um calçadão onde pode-se caminhar e apreciar o mar. Ao contrário de muitas estâncias italianas, onde as concessões privadas escondem o mar atrás de muros e cercas, em Pesaro a vista do mar é livre.

Como de hábito na Itália, as praias possuem fileiras de espreguiçadeiras de propriedade das concessionárias. Paga-se para usar a praia, mas tem-se o conforto de alguns serviços como vestiários, chuveiros, guarda-sol, gazebos, salva-vidas, bares, atividades esportivas e de lazer, assim como a conservação e limpeza da praia. Também há praias livres e gratuitas, como Colle Ardizio ao sul da cidade.

Villino Ruggeri
Villa Molaroni
Villa Caprile
Villa Imperiale
afrescos da Villa Imperial
Palácios/Casarões: Caminhar pelas ruas arborizadas perto da praia significa descobrir belíssimos palácios e casarões em estilo art nouveau, como o Villino Ruggeri que não passa despercebido por quem passa pelo calçadão da Piazza Libertà na orla marítima; uma fantástica obra de arquitetura construída entre 1902/1907. 

Igualmente belas são a Villa Molaroni e a Villa Caprile com seus esplêndidos jardins adornados com fontes, que foram projetados para surpreender os visitantes com seus jatos de água. Construída em 1640, entre os seus hóspedes ilustres estão Giacomo Casanova e Napoleão Bonaparte.

Sobre as colinas de San Bartolo está a magnífica Villa Imperiale,  que foi construída entre desde o final de 1400 ao princípio de 1500 com um extraordinário jardim. É considerada uma das mais incríveis obras do Renascimento italiano e serviu como residência de nobres da época. No interior da residência há diversos afrescos que decoram as paredes. 
Rocca Costanza


Entrada da Rocca Costanza
Rocca Costanza: Na antiguidade Pesaro foi uma antiga colônia que os romanos chamavam de Pisaurum. Depois da queda do Império Romano, a cidade teve sua história marcada por inúmeros conflitos e disputas entre nobres e a Santa Sé.

Um desses nobres foi Gianciotto Malatesta, que se tornou famoso por ter assasinado sua esposa Francesca e seu irmão Paolo, conhecidos pela tragédia de Gradara. A Rocca Costanza nas imediações da praia dá início ao centro histórico.

Construída em torno do ano 1500, desde os tempos antigos é a fortaleza mais importante da cidade. Entre 1864/1969 foi utilizada prisão, sendo atualmente usada como um espaço para eventos culturais.


Piazza del Popolo

Piazza del Popolo

Piazza del Popolo: O período de florescimento cultural e artístico de Pesaro aconteceu durante o governo dos Duques Della Rovere, que construíram os principais monumentos, palácios e prédios públicos da cidade.

Na Piazza del Popolo podem ser admirados o Palazzo Ducale, Palazzo Baviera, a Câmara Municipal e o Palazzo delle Poste. No centro da praça existe uma fonte que substituiu um antigo poço que servia à população.

Construída entre 1588/1593, os adornos de cavalos marinhos e tritões foram acrescidos durante os acontecimentos felizes da família Della Rovere, como o nascimento do herdeiro Federico Della Rovere em 1605 e depois quando ele se casou em 1621. Contudo Federico faleceu em 1623 após um surto epilético, o que determinou o fim da dinastia Della Rovere em Pesaro.

Já velho, Francesco Della Rovere II não tinha esperanças de ter um herdeiro. Depois de seu fracassado casamento com Lucrezia d'Este de Ferrara, ele havia se casado com sua prima e Federico era sua última esperança. Quando o duque faleceu, a cidade e seus bens foram entregues para a Santa Sé de Roma.



Casa de Rossini
teatro Rossini


Casa de Rossini: Nas imediações da Piazza del Popolo está a Casa de Rossini, onde funciona um museu que reúne um acervo de fotografias, documentos e partituras das obras do compositor erudito Gioachino Rossini nascido em Pesaro em 1792.

Ele criou inúmeras óperas e músicas sacras, tendo se tornado cérebre com sua ópera Barbeiro de Sevilha. A estréia dessa ópera em 1816 foi um fracasso, pois a platéia vaiou e atrapalhou a performance de Rossini. Entretanto ele não desistiu. Com seu humor sarcástico e zombador, Rossini aprimorou acordes e fêz uma segunda sua segunda apresentação, que foi um sucesso e deu-lhe notoriedade.

Durante o verão em agosto acontece o Festival de Ópera, quando a cidade recebe inúmeros artistas de diversas partes do mundo. O palco principal deste evento é o Teatro Rossini, construído em 1818 no centro histórico da cidade.   


Catedral de Pesaro
Catedral de Pesaro
Igreja Nome de Dio
Igreja nome de Dio
Igreja San Agostino

Igreja In Nome de Dio: Pesaro possui um grandioso acervo histórico e artístico, além de tradições culturais que são mantidos nos diversos museus, bibliotecas, palácios e igrejas. Além da Catedral há inúmeras igrejas, entre elas tem destaque a Igreja In Nome de Dio. Totalmente decorada, com grandes pinturas que retratam o Velho e o Novo Testamento, nessa igreja pode ser admirado um antigo órgão que foi restaurado e que funciona.


Galeria de arte contemporânea
Museu Cívico
Museu Cívico
Museu de Cerâmica
Museus: Pelas ruas de Pesaro pode-se descobrir diversas oficinas e lojas dedicadas à antiga tradição das cerâmicas de Pesaro, que são mundialmente famosas. No Museo Civico há uma preciosa coleção de louça esmaltada de 1462, quando Pesaro teria sido um importante centro de produção e que floresceram nos séculos seguintes.

Em algumas épocas funciona um interessante mercado de antiguidades, mas também pode-se admirar arte contemporânea na Pescheria, que é um antigo mercado de peixes que foi adaptado para servir como centro de artes visuais. Interessantes são as fontes em forma de conchas na entrada da galeria, muito apropriado para uma cidade que vive junto ao mar.

E foi por sua paixão pelo mar, que o Professor Patrignani reuniu um grande acervo naval e de pescaria para criar o Museu Marítimo. A proposta é divulgar a vida diária dos pescadores, seus costumes e práticas, além de recuperar a cultura do mar, com diversos tipos de navios, histórias de naufrágios e artes do porto.


Museu de motocicletas



Museu de motocicletas: Também foi por uma paixão, que o ex-piloto Giancarlo Morbidelli criou o Museu Morbidelli. Apaixonado por motocicletas, Giancarlo reuniu em mais de 3.000 metros quadrados a história da motocicleta através de centenas de modelos construídos desde o século passado. Há exemplos raros, assim como protótipos que não foram produzidos devido ao alto custo. Visitar esse museu é o sonho de todos que apreciam voar sobre duas rodas... 











14 novembro 2010

Castel San Pietro Terme



Castel San Pietro Terme, uma pequena e encantadora comunidade aos pés das colinas verdes ao redor de Bologna, com certificação internacional da "Rede Internacional de Cidades da Boa Vida", significa a melhor qualidade de vida e muitos serviços disponíveis para os cidadãos e visitantes.





O símbolo da cidade é a torre de menagem, construída em 1199, ano da fundação da cidade, que abriga um teatro. Na praça principal está o Santuário do Crucifixo, ao lado da torre sineira, que abriga um concerto de 55 sinos, único na Europa. Pode-se aproveitar o sol deitado na grama do parque verde; jogar golfe no Le Fonti Golf Club em um campo com 18 buracos com características técnicas e ambientais, únicos e com padrões internacionais; tonificar ou realizar terapias, tratamento de saúde, massagens, banhos e rejuvenescimento em um dos melhores Spa's do mundo.



A origem dos tratamentos térmicos em Castel San Pietro remonta a 1337, mas o verdadeiro Spa foi dimensionado em 1870, muito moderno e cientificamente avançado para sua época. Sua abordagem de tratamentos médicos e estéticos, que inclui terapias de cura, reabilitação e rejuvenescimento são apoiados pelos efeitos benéficos da água sulfurosa e da lama de uma nascente, a 500 m profundidade, com propriedades terapêuticas.


Muitos festivais, feiras, shows, atividades culturais atraem turistas à cidade, mas é em setembro que a cidade se torna animada com a Carrera e a Festa da Braciola chamada de "Settembro Castellano".







A Autopodistica Carrera é uma competição que acontece em Castel San Pietro de Bologna nos primeiros domingos de setembro, onde podem participar somente os habitantes da cidade. É uma corrida unica no genero, pois a velocidade é obtida através do esforço humano.

No passado, os pequenos carros eram construídos com o que havia a disposição; hoje são feitos com materiais e tecnologia, porém mantendo a tradição. Pela manhã, há uma corrida de 1600 metros numa descida longa. À tarde acontece a segunda volta em um percurso de 1250 metros percorridos em duas voltas. As equipes montam seus carros durante o ano e cada equipe tem além do piloto, aqueles que devem empurrar os carrinhos. A vitória é comemorada com champagne e troféus.




Mas para quem admira mais a culinária do que a corrida, melhor é a Festa della braciola dedicada à carne de ovelha, típica dessa região. Na Piazza del Borgo pode-se provar vários tipos de braciola ou dos carneiros assados inteiros, um prato característico da Emilia Romagna. Costeletas de carneiro, macarrão caseiro, queijos macios, como o "Squacquerone" e "Castel San Pietro", óleo de mel, o Savoy famoso, o Natal Cartuxos, além de vinhos de qualidade, Pignoletto e sangiovese, produzidos nas colinas, fazem parte do cardápio da cidade.




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Quem sou

Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.