11 junho 2012

Ferrara, a jóia do renascimento

 
 
Ferrara é uma cidade requintada, elegante e uma grande expressão do período medieval e renascentista. Localizada na Emilia Romagna a apenas 30 km ao norte de Bologna, a cidade é repleta de arquitetura do renascimento tendo sido declarada Patrimônio Mundial pela Unesco. Também em Ferrara nasceu em 1580 a primeira instituição da história para defender as mulheres que sofriam violência de seus maridos e parentes. 
 
 
 
 
Ferrara é uma cidade silenciosa, onde é possível caminhar ou pedalar lentamente uma bicicleta a qualquer hora do dia ou da noite. Sem qualquer receio, pode-se reviver a atmosfera mágica do passado. Viver sem pressa é filosofia e pedalar faz parte do cotidiano, por isso Ferrara é chamada de "Cidade das Bikes ou das Bicicletas".

De todos os tipos, as bikes estão por toda parte e durante todo o tempo pode-se ver circulando não só jovens e crianças, mas também executivos, senhoras elegantes, freiras, policiais, pais e mães com seu filhos pedalando pela cidade. Esta é a maneira mais fácil de locomover-se no labirinto de ruas de paralelepípedos ou fora da cidade.

Deslizar sobre duas rodas na paisagem plana da cidade, além de fazer bem à saúde e ao meio ambiente, dispensa a preocupação de procurar um lugar para estacionar. Também não existe a preocupação de ser atropelado por viajantes afoitos dentro de um ônibus lotado. Sem correria e com tranquilidade, qualquer paisagem, cheiro, som ou movimento é um bom motivo para dar uma parada. 
 
 
 

 
Dinastia Este: A cidade é um museu vivo de sua fascinante história que está estreitamente ligada à história da família Este. Foi durante a Dinastia Este de 1208 a 1598 que Ferrara viveu seu período glorioso, cresceu e obteve importância cultural. Como Ferrara era um feudo papal, os Este converteram-se em vigários papais e governaram Ferrara por mais de 300 anos. Esta continuidade política e administrativa fez o esplendor de Ferrara dando ao tribunal Estense grande prestígio na Europa.

Muitos monumentos e palácios foram construídos durante o governo da família Este, que transformou a cidade em um centro de aprendizagem e de artes criando a beleza urbana que vemos hoje. Em meio a abundante vida intelectual, muitos estudiosos, músicos e artistas foram atraídos para Ferrara. Considerada na época como a primeira cidade moderna da Europa, ainda hoje é cercada por muralhas. 
 
 
 



Piazza Trento e Trieste: Essa é a praça mais importante de Ferrara localizada no coração do centro histórico. Chamada no passado de Piazza delle Erbe, sua construção remonta aos tempos medievais quando em 1135 foi construída a Catedral di San Giorgio em torno da qual se concentravam os lugares mais importantes do poder. Atualmente na Catedral são realizadas as mais importantes celebrações da diocese e, ao lado, a Loggia dei Mercanti é um centro de comércio. 

 

 


As principais ruas de comércio são a Via Mazzini, ViaGaribaldi e no centro em torno do castelo onde há muitas lojas e boutiques de grife. Todo sábado pela manhã há um mercado ao ar livre na praça com um tema semanal que vai desde mobiliário antigo a roupa e comidas. Uma noite por semana na praça é dedicado ao mercado de doces ao ar livre.

Azzo d'Este VII: De origem etrusca e dominada pelos romanos, só há registros sobre a cidade de Ferrara a partir do ano 753. Fundada para fins militares e comerciais, a cidade foi disputada entre Guelfos e Gibelinos. Venceram os Guelfos liderados por Azzo d'Este VII, que se tornou o prefeito da cidade em 1240 dando início à Dinastia dos Este no poder.
 

 


Palio de Ferrara: Oficializado em 1279 o Palio de Ferrara é considerado o mais antigo no mundo e teve início na época do governo de Azzo d'Este VII. É um momento importante para a cidade quando se reúnem as equipes que representam os 8 borgos ou bairros em diferentes cores para disputar o palio, mas sobretudo para festejar o período do renascimento quando Ferrara era uma capital. O pálio é a bandeira do evento entregue ao vencedor.

Em maio, vários dias de eventos marcam essa celebração que consta de desfiles com roupas luxuosas de época, armeiros, músicos etc. Na pista oval da Praça Ariostea são montadas arquibancadas onde ocorrem as corridas sobre ponei e cavalos. Na Catedral é feita a benção do Palio de Ferrara e suas características são diferentes de outros, porque é caracterizado por uma celebração de festa e não uma recordação de guerra.

Outro evento importante é o Ferrara Buskers ou Rassegna Internazionale del Musicista di Strada, um festival internacional de músicos de rua realizado em agosto que combina o charme da cidade com muita música e diversão.  




 

Obizzo d'Este II assumiu o poder em 1252. Ele era um filho bastardo de Rinaldo I d'Este, o único filho e herdeiro de Azzo d'Este VII com uma lavadeira napolitana. Logo após seu nascimento Obizzo foi expulso de Ferrara com sua mãe, porém seu destino mudou quando Rinaldo D'Este I foi envenenado pela esposa que era infértil. Sem herdeiros legítimos, Obizzo foi reconhecido como sucessor apesar de sua mãe ter sido afogada no Mar Adriático por opositores.

Obizzo II casou-se e teve 5 filhos: Azzo VIII, Aldobrandino II, Francesco, Beatrice e Maddalena. Na época a cidade não tinha estrutura urbana, era vulnerável aos ataques de inimigos além de ser uma terra pantanosa, insalubre e improdutiva, por isso ele decidiu erguer seu palácio em frente à catedral. O Palácio Municipal de Ferrara foi a residência da família Este antes da mudança para o Castelo Estense. 


 


Azzo d'Este VIII: Depois de 42 anos no poder, Obizzo II adoeceu e faleceu em 1293 ocasionando violenta disputa entre os seus sucessores. Seu filho Azzo d'Este VIII assumiu o poder e herdou as terras da família. Ele foi citado por Dante na Alegoria do Inferno pela suspeita de que teria matado o próprio pai para chegar ao poder, porém nada foi confirmado.

Azzo VIII passou quase todo o tempo de seu governo entrando em guerras e conflitos. Num pacto nupcial ele concedeu 51.000 florins ao sogro e deu seus irmãos Francesco e Beatrice como dote. Os irmãos fugiram de Ferrara e juntaram-se à coalisão movida contra Azzo VIII. Depois de 15 anos no poder, ele morreu em 1308 sem deixar herdeiros. 

Aldobrandino d'Este II: Na linha sucessoria, Azzo VIII foi sucedido por seu irmão Aldobrandino d'Este II que governou Ferrara durante 18 anos. Após sua morte, ele foi sucedido por seu filho Obizzo d'Este III que assumiu o poder 1326. Com uma natureza jovial de seus 32 anos, Obizzo III foi um dos mais bem-amados príncipes da Casa dos Este. Além de manter boa política com a Santa Sé e outras importantes e nobres famílias, ele cunhou a primeira moeda de Ferrara.

Aldobrandino d'Este III: Sucedeu seu pai em 1352 quando tinha apenas 17 anos. Foi um dos primeiros príncipes italianos indicados para acompanhar Charles IV em sua marcha para Roma para receber a coroação imperial, por isso tinha inúmeros privilégios. No entanto, ele morreu prematuramente aos 26 anos. 


Nicolò D'Este II: Sucedeu seu irmão e assumiu o poder em 1361 quando estava no vigor de seus 23 anos. Conhecido como aleijado devido a uma enfermidade nos pés, ele tentou consolidar sua posição no Vale do Pó arranjando casamentos para os irmãos, irmãs e sobrinhos com os membros das famílias Gonzaga, Polenta e Malatesta. Embora tenha expandido seu reino até o Veneto, Nicolò II teve que enfrentar infortúnios graves em sua própria cidade, como inundações, secas e pragas.

Nessa época ele transformou Ferrara de um lugar pantanoso insalubre em uma cidade limpa, com ruas pavimentadas, fortalezas e torres. Para melhorar a estrutura da cidade ele aumentou a tributação, mas o povo se revoltou e invadiu a Chancelaria matando o Chefe Fiscal de Ferrara. Foi devido a esse episódio que ele quis melhorar a defesa do reino contra o povo faminto e sofrido de Ferrara e mandou construir o castelo em 1385. Era dia de San Michelle, por isso o castelo foi dedicado ao arcanjo sendo conhecido como Castello di San Michelle ou Castelo Estense.

Castello Estense: No centro da cidade, o Castello Estense é o retrato da história da cidade. Poucos castelos europeus tem uma história tão conturbada quanto o Estense. Com suas proporções imponentes, seu fosso, suas pontes levadiças, torres e uma passagem elevada que ainda existe, juntou-se à construção militar do Palácio dos Marqueses hoje Palazzo Municipale. Séculos se passaram e não tendo mais o risco de motins, o castelo tornou-se a magnífica residência do tribunal. Nicolò II morreu aos 50 anos deixando dois herdeiros: Alberto V e Nicolò III.

 
Palazzo Paradiso
Palazzo Schifanoia

Alberto d'Este V: sucedeu seu pai em 1388. Com a maturidade de seus 39 anos, numa tentativa de reconquistar a confiança do Papa ele foi a Roma. O Papa Bonifácio IX contente com esta homenagem permitiu-lhe todos os privilégios solicitados, cancelou as dívidas da família e autorizou a universidade a ter os mesmos direitos de Bologna e Paris. Assim ele começou a sonhar com uma cidade que pudesse impressionar e deslumbrar com seu esplendor.

Em 1391 ele fundou a Universidade de Ferrara onde estudaram Paracelso e Copérnico, Savoranola e Ludovico Ariosto. Fêz uma série de obras para mudar a face da cidade, abriu as principais praças, construiu igrejas, conventos e palácios, entre eles o Palazzo del Paradiso, que era um local de lazer e o Palazzo del Schifanoia, cujo nome quer dizer: o palácio que espanta o tédio, porque era um local de refeições ao ar livre e lazer onde hoje funciona o Museu de Arte Antiga. Por não ter herdeiros, Alberto V foi sucedido por seu irmão Nicolò d'Este III.

 

 

Hoje as imponentes torres se destacam nos quatro cantos do Castelo, símbolos da imponência da Família Este. Cada torre foi batizada com um nome: Torre de Santa Caterina, Torre Marchesana, Torre de San Paolo e a esplêndida Torre dei Leoni de onde se tem um panorama de Ferrara. Entrar no Castelo Estense é reviver os episódios que ali aconteceram, além de poder apreciar sua imponência e a beleza dos seus salões e quartos aristocráticos.

Nicolò d'Este III: Assumiu o poder em 1393. Ele era um homem de ação e tornou-se um estadista sagaz e ambicioso, sempre trabalhando muito para manter o território Ferrarese que era em sua maior parte pantanoso e improdutivo. Foi durante seu governo que Ferrara converteu-se em um importante centro cultural recepcionando vários Papas.

Casou-se com uma jovem de 15 anos, mas ela faleceu alguns anos depois sem deixar-lhe filhos. Embora já tivesse uma amante com 3 filhos adolescentes: Ugo, Leonello e Borso, ele casou-se em Parisina Malatesta, também conhecida como Laura Malatesta, que na época tinha apenas 14 anos de idade enquanto ele tinha 31 anos. Parisina residia na torre de Rigobello nas salas sob a biblioteca onde reorganizou seu novo lar.

Durante uma viagem quando Parisina foi visitar sua família, o marido insistiu que fosse acompanhada de seu filho Ugo d'Este que também tinha 20 anos. Os dois jovens se tornaram amantes mas quando retornaram a Ferrara as empregadas do castelo denunciou-os. Quando Nicolò III descobriu o caso, mandou que Parisina e Ugo fossem trancados na masmorra do castelo antes de serem decapitados. A trágica história de amor inspirou escritores e músicos de óperas.

Parisina morreu deixando duas filhas gêmeas: Lucia d'Este e Ginevra d'Este que morreram na adolescência. Ele casou-se novamente e teve dois filhos: Ercole I e Segismundo I. Apesar de ser um político hábil e sagaz, protetor das artes e de músicos, Nicolò III tinha acumulado muitos rivais e morreu envenenado durante a refeição da noite de natal.

 


 


Leonello d'Este: Ele era um filho ilegítimo Nicolò deste III, porém sucedeu seu pai e assumiu o poder em 1441. De gosto seleto e amante das artes, ele se cercou dos melhores artistas e mestres. Embora tenha se casado por duas vezes, ele morreu sem ter os filhos herdeiros com os quais tanto sonhava e foi sucedido por seu irmão Borso d'Este. Na entrada para a Praça Municipal erguem-se duas colunas laterais com a estátua em bronze de Borso d'Este no trono e de seu pai Niccolò III d'Este a cavallo.

Borso d'Este: Homem de ação e ambicioso, ele era o membro mais influente da família Este. Apesar de tentar promover a família, ter interesse pelas artes e música e ser muito apreciado por seus súditos, Borso era um sonhador de sonhos impossíveis. Certa vez ele apareceu com um projeto para construir uma montanha a partir do nada. Duramente criticado, teve de desistir de seu projeto.

A corte de Borso foi o centro da chamada Escola de Pintura de Ferrara. Durante seu governo muitos artistas e músicos receberam seu patrocínio. Apesar de ser avarento no gasto com a cultura, ele é especialmente recordado pela famosa Bíblia com o seu nome, um dos mais famosos trabalhos em miniatura do renascimento na Itália. Borso d'Este morreu sem deixar herdeiros e foi sucedido por seu irmão Ercole I. 

 

 



Ercole d'Este I: Filho legítimo de Nicolò III, ele assumiu o poder em 1471. Com seus 40 anos e  uma primorosa educação na corte aragonesa, ele estudou artes militares e cavalaria. Além de seu apurado gosto pela arquitetura e belas artes,  foi um dos mais significativos patronos do renascimento.

Dois anos depois de assumir o poder ele casou-se com Eleonora de Aragão tendo seis filhos: Alfonso I, Isabella e Beatrice, Ferrante, Ippolito I e Segismondo II. Também teve dois filhos ilegítimos com sua amante: Lucrécia e Giulio. Sempre ousado, ele expandiu a vasta extensão das muralhas da cidade, a chamada Addizione Erculea.

Ferrara é cercada por 9.000 metros de muralhas por onde pode-se caminhar ou andar de bicicleta sobre elas em quase toda extensão ou ao seu redor. A Addizione Erculea é uma grandiosa obra urbanística construída em 1484, a primeira no seu gênero em toda a Europa. Foi encomendada pelo Duque Ercole I depois do cerco de Ferrara pela República de Veneza. Além de sua função defensiva, também permitiu expandir a área da cidade.

O histórico Corso Giovecca é uma das mais importantes avenidas da cidade, basicamente dividindo a cidade ao meio: de um lado está a parte medieval e do outro a parte com arquitetura do renascimento. A avenida começa na imponente Porta Romana nas imediações da muralha e segue em linha reta até o Largo do Castelo. Ao longo da avenida estão importantes palácios. A partir do castelo inicia a Via Cavour que segue em linha reta até a estação ferroviária.

Em poucos anos Ercole I mandou construir palácios, estradas, praças e conventos. A cidade dobrou de tamanho e a maioria dos palácios de Ferrara foram construídos durante seu governo.  De uma pequena cidade medieval surgiu uma joia do renascimento urbanístico. O castelo que era a residência da família do Duque agora encontrava-se no centro da cidade, um ponto de referência e visível de todos os pontos da cidade. 




Com muita astúcia Ercole I tinha negociado o casamento de seus filhos com prestigiadas e nobres famílias. Ele negociou o casamento de seu filho Alfonso I com Anna Sforza, porém ela faleceu. Com relutância ele concordou no casamento de seu filho com Lucrécia Borgia, filha do Papa Alexandre VI que lhe fêz notáveis doações territoriais. 

Com Ludovico Sforza, ele negociou o casamento e sua filha Beatrice. O casal morava no Palazzo Costabili onde hoje funciona o centro do Museu Arqueológico Nacional. O museu conserva vários tipos de objetos de excelente qualidade artística que mostram os estreitos laços culturais da Grécia antiga. Há grandes vasos em que são retratados cenas da vida cotidiana, cenas mitológicas ou cenas que retratam a guerra de Tróia. Porém fascinante é o salão de ouro que retrata a riqueza do povo etrusco no final do século 5, demonstrando a habilidade magistral de seus ourives em peças com ouro, prata, âmbar e pedras semi-preciosas.

Casou sua filha Isabella com Francesco Gonzaga - Senhor de Mantova. Mulher de grande inteligência, bom gosto e amor às artes, ela mantinha tintas para que os pintores trabalhassem em obras de arte para ela. Conselheira do marido, ela vivia corrigindo seus êrros diplomáticos mas sua grande ambição era governar Mantova. Quando seu marido foi capturado, ela realizou seu sonho tornando-se a Senhora de Mantova.

 


Existem inúmeros museus em Ferrara, entre eles o Museu de Arte que funciona nos suntuosos salões do Palazzo Massari onde viveu Giovanni Boldini. Com seu estilo próprio e inconfundível, Boldini foi o mais famoso retratista da sociedade. As mulheres mais fascinantes da época disputavam para posar para ele com a certeza de ser imortalizada por seu pincel.

Um dos famosos palácios de Ferrara é o Palazzo dei Diamanti que foi construído em 1493 por ordem de Segismondo I, irmão do Duque Ercole I. Atualmente funciona no local a Pinacoteca nacional, um museu de arte moderna e contemporânea. Com uma fachada coberta por 8.500 blocos de mármore branco e rosa e seu interior ricamente decorado, segundo uma lenda o construtor teria colocado um grande diamante em uma das saliências. 

 



O monumento na praça é dedicado ao padre dominicano Girolamo Savonarola que nasceu em Ferrara em 1452. Intelectual, estudioso de filosofia e medicina, ele decidiu renunciar à vida mundana opondo-se à imoralidade nas classes sociais. Disposto a combater as fraquezas humanas, seus sermões atraiam a atenção e causavam impacto no povo. Ele não interferia na política, mas conclamava o povo para uma vida cristã. Muitas pessoas queimaram publicamente seus artigos de luxo influenciado pelas palavras de Savonarola.

Essa influência e suas violentas pregações contra os crimes da Igreja de Roma, trouxeram conflito com o Papa Alexandre VI e com nobres famílias e príncipes de cidades italianas. Em consequência, foi excomungado e condenado à morte por ordem do papa. Apesar dos pedidos de clemência feitos por Ercole D'Este I, Savonarola foi enforcado e teve seu corpo queimado na praça pública de Florença.

Ercole I era um dos nobres italianos que trouxe músicos e compositores europeus para a Itália. Famosos compositores europeus trabalharam para ele e dedicaram-lhe músicas. Entusiasta da música sacra e do teatro, em 1503 ele solicitou ao compositor que acabara de contratar para escrever um testamento musical estruturado na meditação que Savonarola escrevera na prisão, Infelix ego. O resultado foi a obra prima "Miserere", provavelmente tocada pela primeira vez durante a Semana Santa de 1504 e cantada pelo próprio duque a partitura de tenor. 

 




Alfonso d'Este I: Sucedeu seu pai aos 29 anos. Durante seu governo ocorreram muitos eventos políticos e guerras, mas também grande crescimento artístico e cultural. Dando continuidade à expansão da cidade iniciada por seu pai, modernizou e ampliou o castelo, desde as cozinhas até salas de estudo. Embora fosse protetor dos poetas, ele era muito estrategista e cruel.

Ele tinha vários irmãos, entre eles o Cardeal Ippolito I e Giulio que era o irmão mais bonito e mais rebelde. Esses dois irmãos eram amigos mas foram divididos por um profundo ressentimento e começaram a se odiar porque amavam a mesma mulher. A jovem declarou abertamente sua preferência por Giulio e isso desencadeou a ira do Cardeal Ippolito I que quis vingar-se tentando matar Giulio com uma punhalada. 

Ferrante era outro irmão que tinha ambição de assumir o poder. Juntando-se a Giulio, eles tramaram vingar-se do Cardeal Ippolito I e também matar o Duque Alfonso I. Porém a trama foi descoberta e quando os irmãos subiam para a sentença de morte na forca, Alfonso I mudou a sentença e os condenou à prisão perpétua na Torre dei Leoni. Ferrante morreu na prisão e Giulio foi perdoado 53 anos depois, porém ele já estava muito velho e morreu.


Ainda adolescente, atendendo aos desejos de seu pai, Alfonso I tinha se casado com Anna Sforza com quem teve um filho, porém ambos morreram. Logo depois, mesmo contrariando os desejos de seu pai ele casou-se com Lucrécia Bórgia que era filha ilegítima do Papa Alexandre VI. Aos 21 anos ela já estava em seu terceiro casamento e era uma mulher tão astuta e inteligente que o Papa em suas ausências confiava-lhe a administração da Santa Sé.





Lucrécia Bórgia: ela entrou para a história como a mulher mais bonita e sedutora de Roma, que tinha envenenado seus amantes com um estranho pó que mantinha guardado dentro de um anel. No entanto em Ferrara ela foi admirada por seu refinado senso político, amada pela população e apelidada de "A Mãe do Povo". (Leia mais sobre sua história em Marche-Gradara.)

Lucrécia e Alfonso I tiveram 4 filhos: o Cardeal Ippolito II, Eleonora, Francesco e Ercole d'Este II. Com a morte da esposa, Alfonso I teve mais dois filhos com uma amante: Alfonso e Alfonsino I mas não conseguiu que fossem reconhecidos como filhos legítimos e sucessores. Alfonsino I faleceu ainda jovem e Alfonso teve 5 filhos: Eleonora, Ippolita, Cardeal Alessandro, Alfonsino II e Cesare que era o mais novo.

Por participar da liga contra Veneza, Alfonso I foi privado das suas posses e excomungado pelo Papa quando ele tinha 32 anos. Pouco tempo depois obteve a revogação da excomunhão mas o Papa recusou a reintegração de posse dos seus bens. Somente com a intervenção do Imperador Carlo V ele conseguiu recuperar seus bens quando tinha mais de 54 anos. Porém ele morreu logo depois, sem poder usufruir de sua fortuna. 



Marfisa d'Este: Francesco d'Este era filho de Alfonso I. Ele não tinha herdeiros legítimos, apenas duas filhas nascidas fora do casamento, Bradamante e Marfisa que foram educadas como todas as princesas da família. No entanto, tal qual sua avó Lucrécia Bórgia, Marfisa tinha um charme incomum e também a reputação de ser rebelde. Com sua natureza inquieta e lunática, ela adorava dançar e ter seus tempos livres. Sem dúvida, era o centro da vida da corte.

Marfisa casou-se com seu primo Alfonsino II, mas o casamento foi muito breve pois ele morreu em três meses. Logo depois ela casou-se com um príncipe herdeiro de Massa e Carrara. Foi um casamento bem sucedido e os dois estavam quase sempre juntos. Com sete filhos eles moravam na Palazzina Marfisa d'Este, um esplêndido exemplo de residência de classe alta do século 16 que já foi cercado por magníficos jardins que conectavam a outros edifícios conhecidos como Casini di San Silvestro.

Marfisa viveu na Palazzina herdada de seu pai até a sua morte e se recusou a sair de Ferrara mesmo depois de sua família mudar-se quando a cidade foi transferida para os Estados Pontifícios em 1598. Quando o Papa, novo senhor da cidade, chegou em Ferrara ela se recusou a prestar-lhe homenagens. Dez anos depois ela morreu na Palazzina aos 52 anos ganhando o reconhecimento de muitos por sua caridade, mas sempre manteve sua personalidade rebelde.

 
Banquetes da Corte: Um reino era considerado grandioso pelos banquetes servidos, por isso os nobres se cercavam dos melhores cozinheiros. Na corte de Alfonso d'Este I existia um grande mestre, Christophoro Messisburgo nascido em Ferrara, que na verdade era como um mordomo administrador. Ele se tornou um famoso Mestre de Cerimônias pela organização de suntuosos banquetes no Castelo Estense.

Em 1529 o mestre serviu um maravilhoso banquete no casamento de Ercole II composto de inúmeros pratos diferentes compostos de faisão, pombo, coelho, trutas, peixes, mariscos, enguias, massas, carnes, vegetais crus, molhos, bolos, doces e frutas. Depois da morte de Christophoro, em 1549 foi publicado o livro póstumo "Banchetti, compositioni di vivande et apparecchio generale" que era um imaginativo manual de culinária do século 16. 
 Suas receitas revelam o uso indiscriminado de açúcar e canela, pinhões e passas espalhadas em quase todos os pratos. Naquela época, o açúcar era privilégio dos ricos além de uma abundância de ervas e especiarias. Em seu livro são revelados pratos da alta cozinha de sua própria invenção, mas também aqueles obtidos pelo rearranjo de receitas populares ou reorganizando tradições estranhas e exóticas para o gosto local da época; uma livre reinterpretação da cozinha no renascimento.
 

Típico de Ferrara é o Pão Torcido, que apareceu em 1536 durante um jantar oferecido em honra do Duque de Ferrara. Mudando a forma do pão chato, o pão ganhou elegância tornando-se orgulho da gastronomia italiana.

Dizem que o segredo de sua receita está na qualidade da água, dos ingredientes e na fermentação. Os turistas que passam por uma padaria em Ferrara não podem resistir ao tentador cheiro do pão fresco saindo do forno que penetra no ar.
Foi o Chef Christophoro Messisburgo que desenvolveu a receita do Pampapato - o Pão do Papa. Enriquecido com amêndoas, avelãs e frutas cristalizadas, o pão coberto de chocolate era servido como sobremesa para a nobre família Este e para o clero, tornando-se uma tradição de Ferrara. Na época representava um luxo reservado para poucos, já que o cacau era uma preciosa mercadoria que tinha chegado na Europa através das cortes. Hoje o pampapato pode ser encontrado em diversas padarias e restaurantes de Ferrara.

Ferrara oferece variadas opções gostosas como as pizzas e a Piadina. Porém mais famoso é o Cappellacci di Zucca Ferraresi, que também era uma das delícias preparadas para os membros da família Este e ainda hoje são feitos com os mesmos ingredientes de séculos passados, exceto pela adição de especiarias como gengibre e pimenta que eram escassos na época. Conhecido como Tortelli di zucca con il butirro ou Tortelli de abóbora com manteiga, no dialeto local são chamados Caplaz devido ao formato dos chapéus que eram usados pelos camponeses de Ferrara. Feito com abóbora cozida no forno, queijo Grana Padano e temperos, as cuias eram aproveitadas no passado para beber água, vinho ou para preparar pólvora.  

As origens do Zia Ferrarese também são da época do renascimento e constam no livro de Christophoro Messisburgo. Esse tradicional salame, que era servido nas refeições do Duque de Ferrara, é baseado em carne de porco e depois temperado é marinado em vinho branco. Dizem que é exatamente o vinho branco produzido no campo ferrarese que dá o inconfundível sabor ao Zia que é mantido em adega fria por 5 a 6 meses. 



Ercole D'Este II: Assumiu o poder em 1534 após a morte de seu pai. Ele tinha apenas 26 anos e apesar das dificuldades financeiras devido aos enormes gastos militares, Ercole II patrocinou uma grande extensão e trabalho de decoração do castelo. Graças a ele, o castelo foi transformado num conto de fadas como o vemos hoje. Várias salas foram decoradas com pinturas e afrescos, tanto para completar os ciclos decorativos estabelecidos por seu pai como também por suas próprias idéias originais. Casado com a princesa Renée di France, a jovem filha de Luís XII, Ercole II e sua corte em Ferrara foram das mais brilhantes do renascimento. 

Há muito tempo Ferrara tem tradição em vinhos e, segundo contam, a vinha foi provavelmente enxertada na região em 1528 quando Renèe di France trouxe como dote uma videira da Borgonha. A videira Côte d'Or ou Uva d'Oro encontrou o habitat perfeito nas dunas do Delta, um ambiente particularmente úmido devido à proximidade constante do mar e da falta de água doce ao longo dos séculos, contribuindo para a formação de uma uva com personalidade forte que deu origem a deliciosos vinhos.

Com cinco filhos: Leonor, Anna, Cardeal Luigi, Lucrécia d'Este e Afonso d'Este II, a família foi marcada por separações e tragédias. Sua filha Anna D'Este casou-se com Louis de Bourbon, tendo um filho chamado Henri. Após a morte de seu marido ela se casou com o Duque de Nemours e teve o filho Luigi, mas a criança morreu aos 8 anos de uma doença misteriosa. Três anos depois seu filho mais velho foi esfaqueado e degolado.

Renée di France tinha uma influência considerável sobre o tribunal e a cultura Ferrarese.
O duque e a duquesa recebiam em Ferrara nobres e escritores e deram hospitalidade a Jean Cauvin ou João Calvino. Com sua cultura estrangeira, ela ajudou a derrubar muitas barreiras de provincianismo dentro do ducado e do tribunal ampliando os horizontes diplomáticos e culturais, através da sua fé calvinista. 

Graças a Renèe di France a cidade se tornou um dos mais importantes centros da Reforma Protestante na Itália. Recusando-se a receber os sacramentos da Igreja Católica, Renée di France foi condenada à prisão, pois Ercole II temia a intervenção do Papa e também queria afastar sua mulher das influências calvinistas. Muitos anos depois quando seu marido faleceu, ela foi libertada e fugiu para a França onde apoiava o partido protestante nas guerras das religiões. Em virtude disso, ela foi hostilizada por seu filho, o novo duque Afonso D' Este II. 

Porta dos Anjos

Alfonso D'Este II: Sucedeu seu pai em 1533 quando tinha 26 anos e, apesar de três casamentos, ele não teve filhos e nem sobrinhos para garantir a linha de sucessão. Ele era o último na linha sucessória da dinastia e sabia que não tendo filhos a Igreja reclamaria o feudo após sua morte. Para desencorajar os projetos dos Estados Pontifícios e evitar o fim da Casa dos Este, Alfonso II tentou participar das Cruzadas contra os turcos e de outras batalhas a favor dos papas ou fazendo negociações diplomáticas com o Papa.

O ducado teve problemas econômicos além de um terremoto que atingiu a cidade em 1570 danificando severamente o castelo, porém Alfonso II ordenou a sua reparação. Aos 64 anos Alfonso II morreu sem filhos herdeiros interrompendo assim a Dinastia dos Este em Ferrara. Esse foi o pretexto usado pelo Papa Clemente VIII para retomar a posse do feudo.

Cesare d'Este: Cesare d'Este foi  indicado como sucessor e o Imperador aprovou a sucessão, mas o Papa não o reconheceu como herdeiro de seu avô Alfonso I. Sem contar com ajuda do Duque de Mantova e também porque o Papa havia concentrado 30.000 homens prontos para atacar a cidade, Cesare desistiu. Além disso, Lucrezia que era irmã de Alfonso II apoiava a entrega da cidade para o papa. 

Em 29 janeiro 1598 a igreja de Roma tomou posse da cidade dando início a um longo período de grande decadência. A cidade que tinha vivido seu grande esplendor sob o comando da Dinastia Este assistiu seu declínio até 1900, quando Ferrara se conscientizou de seu passado glorioso. A cidade foi duramente castigada durante a Segunda Guerra Mundial, porém muitos monumentos foram restaurados.

A Porta dos Anjos foi uma torre vigia mandada construir por Alfonso II entre 1575 a 1585, de onde se tem uma vista panorâmica das muralhas e do parque urbano que propicia um passeio tranquilo ao longo das margens do Rio Pó para descobrir as belezas do campo de Ferrara. Recentemente restaurado, é utilizado para exposições temporárias de jovens artistas. Diz a tradição que foi através da Porta dos Anjos que Cesare d'Este saiu com toda a família Este. Após sua saída, o Papa ordenou que os arcos fossem fechados e nunca mais fossem abertos. E assim se fez...


 

Lucrezia d'Este:  Filha de Ercole II e Renèe di France, Lucrezia nasceu em 1535 e foi criada com muita cultura. Por razões diplomáticas ela foi obrigada a casar com Francesco della Rovere, o herdeiro de Urbino; ela tinha 35 anos e ele 22 anos. Arrastada de forma humilhante pelo marido no dia do casamento, ela foi morar em Pesaro/Urbino.

A duquesa de Urbino tinha permissão para visitar a família em Ferrara e numa dessas viagens ela viveu uma secreta história de amor. Quando seu irmão Alfonso II descobriu o caso de amor resolveu silenciar o escândalo matando o amante da irmã, porém Lucrézia não quis voltar para o marido e pediu autorização da Santa Sé para uma separação. 

O Papa não decretou a separação mas permitiu que ela vivesse em Ferrara separada do marido. Ela dedicou-se à vida espiritual e faleceu em 1598, porém ela deixou sua marca na história. Em 1580 ela fundou a primeira instituição no mundo para defender as mulheres que sofriam violência de seus maridos e parentes. 
 

10 comentários:

  1. Olá Lucia! Sou gaúcha de Porto Alegre morando em salvador a 9 anos. Pouco sei da Italia, mas sendo meu bisavô italiano, o sonho de conhecer algumas regioes italianas está cada vez mais forte. Foi assim, pesquisando lugares, olhando fotos, sonhando com a viagem futura aos caminhos e tratorias que encontrei vc. Gostaria muito de trocar emails ou nos conhecermos via facebook, se vc quiser. Seus Blogs sao maravilhosos e ainda nao tive tempo de curtir todos, mas vou conhecendo devagar. Lucia...me dê essa honra...de fazer parte de seu círculo de amigos! Bjo grande! Meu perfil no facebook: https://www.facebook.com/elisabethpaim e meu email: elisabeth_3009@hotmail.com

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  2. Olá Elizabeth. Obrigado por sua visita e seu comentário. Entrarei em contato através de seu email. Abraço. Lucia

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  3. Trabalho elogiável cara Lúcia. Parabéns! Só com amor e curiosidade feminina se chega a tão grande enredo, lúcido e sobretudo de valor cultural. é evidente que nada se faz sem um longo trabalho de pesquisa. Estou vivendo e estudando arquitetura em Ferrara e de repente você me despertou para uma vivência ainda mais profunda e intensa. Gostaria de ficar com mais proximidade a você retribuindo inclusive qualquer atualidade. MEU FACEBOOK é SANTO NOVO e meu email: adriao.fernando@gmail.com GRANDE ABRAÇO DAS TERRAS DOS ESTE.

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    1. Olá Fernando: Ferrara tem uma história incrível, não é mesmo? Agradeço a gentileza de seu comentário, seus elogios e agradeço por se disponibilizar. Manterei contato com você através de seu email. Abraço, Lucia .

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  4. Olá Lucia, meu nome é juliano, moro no Brasil, mas sinceramente não suporto mais viver aqui, não aguento mais tanta roubalheira e corrupção, meu pai era italiano, tenho seu sobre nome, sou advogado e gostaria de saber como posso fazer para ser advogado aí na Itália, adorei Ferrara, adoraria morar nesta cidade, serei grato se você puder me orientar como devo fazer para poder exercer minha profissão aí, meu email é: ricardojulianovale@hotmail.com, serei muito grato se puder me ajudar.

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  5. Olá Lúcia, meu nome é Miracy , vivo no Brasil, em Recife, mas estive em Ferrara em julho de 2013 e amei. É uma cidade linda e ao mesmo tempo romântica. Espero retornar e conhecer melhor alguns locais que não tive oportunidade de conhecer. Parabéns pelo teu trabalho!.

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    1. Olá Miracy. obrigado pela gentileza de seu comentário. Com certeza você viu como Ferrara é fascinante e tem muito mais do que poderia caber nesse post. Desejo que retorne por lá e depois me conte como foi. Abraço, Lucia

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  6. Oi Lucia, me chiamo Felipe. Está certo meu italiano? Bom vamos aos comentários... Acho que os rios dão charme às cidades, uma pena Ferrara ser tão próxima ao rio Pó e não ser banhada por ele. Seus fundadores devem ter errado a localização. O mesmo digo em relação a Verona tão próxima ao lago de Garda ! Seria uma Genebra italiana... Pelo menos, essa última é banhada pelo belo Ádige.

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  7. Oi Lucia, meu nome é Adriana e sou do Parana, estou super interessada em fazer intercambio para Ferrara mas estou meio receosa com isso. Gostaria de saber, se você puder me ajudar, como esta o mercado na área de engenharia civil na cidade e no pais como um todo. Muito obrigada. Se for melhor pra voce responder através de email: adriana_kosop@hotmail.com

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  8. Oi Lucia, meu nome é Adriana e sou do Parana, estou super interessada em fazer intercambio para Ferrara mas estou meio receosa com isso. Gostaria de saber, se você puder me ajudar, como esta o mercado na área de engenharia civil na cidade e no pais como um todo. Muito obrigada. Se for melhor pra voce responder através de email: adriana_kosop@hotmail.com

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Quem sou

Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.