30 dezembro 2016

Venezia Sestiere Santa Croce



Santa Croce é a porta de entrada para os turistas que chegam em Veneza de carro, ônibus turísticos ou nos barcos e navios que atracam na Stazione Maríttima. O bairro herdou o nome da antiga Igreja de Santa Croce, que foi demolida por ordem de Napoleão. Outras antigas construções também foram demolidas para dar lugar a novas construções, por isso é o sestiere que mais se modificou nos últimos anos.


Stazione Marittima de Veneza
estacionamento da cidade

Monotrilho

Construções novas em Santa Croce contrastam com a parte mais antiga de Veneza. Ainda que de forma limitada, é o único ponto onde é possível transitar de carro e estacionar. Também pode-se usar o estacionamento da ilha de Tronchetto, que é ligada ao centro histórico pelo monotrilho que chega até o Piazzale Roma.




Giardini Papadopoli

Apesar dessa região ser pouco frequentada por turistas, há muitas atrações para os amantes das artes, dos perfumes e para quem deseja descobrir cantinhos inéditos. Um desses lugares são os Jardins Papadopoli, um paraíso em estilo francês projetado em 1834 em memória do Conde Papadopoli.

Nos áureos tempos de Veneza, esse local servia para a realização de extravagantes festas. Ponto de encontro da nobreza, depois dos bombardeios da Primeira Guerra Mundial os jardins foram abertos ao público em geral. Os pomares foram preservados, além de terem sido adicionadas plantas exóticas.  




Tre Ponti

Próximo aos jardins encontra-se a Tre Ponti ou Três Pontes, que na verdade trata-se de cinco pontes entrelaçadas que atravessam o Rio Nuovo, Burchielle e Rio degli Squartai. Passagem obrigatória para quem vai seguir por dentro do bairro, a partir dessa ponte pode-se ver outras 13 pontes. Mas é seguindo em direção ao Grande Canal que se descobre muitas relíquias.




Chiesa San Simeone Piccolo

Bem à frente da Estação ferroviária encontra-se a bela Igreja de San Simeone Piccolo. Conta a tradição, que entre os séculos 10/11 foi consagrada a igreja original San Simeone Piccolo, que foi demolida para dar lugar à atual igreja. Construída entre 1718 e 1738 com inspiração na Cúpula do Panteon de Roma, ela é dedicada aos santos Simeão e Judá, tendo sido chamada San Simeone pequeno para distingui-la da Igreja San Simeon Profeta ou San Simeon Grande.

As decorações não se comparam a de outras igrejas em Veneza, mas tem uma interessante forma octogonal com um altar no centro, do qual saem quatro corredores. Seu grande destaque é sua cúpula verde. Com muitos elementos bizantinos e paladianos, é uma das únicas em Veneza onde a missa ainda é celebrada em latim.

Sob a igreja há um subterrâneo interessante com afrescos que retratam cenas das Estações da Cruz e do "Velho Testamento". Dois longos corredores se cruzam em uma sala octogonal. Dizem ter abaixo vinte capelas, muitas ainda inexploradas. Também no subterrâneo estão algumas sepulturas sem identificação, sendo talvez de antigos sacerdotes ou paroquianos.



Chiesa San Simeone Profeta

A uma curta distância de San Simeone Piccolo está a Igreja de San Simeone Profeta, sendo mais conhecida como Igreja de San Simeone Grande. Fundada em 967 pelas famílias Ghisi, Adoldi e Briosi, a modesta construção em madeira foi destruída por incêndio.

Reconstruída em pedra no ano de 1150 e restaurada em 1839, a pequena igreja é simples contendo apenas algumas obras de Tintoretto e Jacopo Palma, além de um monumento de pedra do século 14 dedicado a San Simeone.






Ca'Pesaro

O Ca'Pesaro é um dos palácios mais lindos do Grande Canal, sendo a atual sede de um dos museus mais interessantes da cidade. No primeiro andar funciona a Galleria d’Arte Moderna e no segundo andar o Museo d’Arte Orientale.

Quase todos os palácios de Veneza contém o nome da família que o construiu ou que tenha deixado na construção a sua própria marca. Alguns levam o nome de duas famílias ou tem o nome da família e sua origem. Muitas residências tradicionais adquiriram a denominação de Ca', um diminutivo de Casa de.., como o Ca'Pesaro.

Esse palácio foi construído nos anos de 1680 para ser a residência da família de Longhena Baldassarre natural de Pesaro. Devido à morte do progenitor em 1682, o palácio permaneceu inacabado. Somente em 1710 a obra foi concluída.

Após alguns anos o palácio foi doado ao Venice City Hall pela Duquesa Bevilacqua, com a condição de que servisse para expor obras de artistas emergentes. Apesar da majestosa fachada, na parte interior grande parte das decorações se perderam. Apenas alguns afrescos permanecem.




Palazzo Mocenigo

Bem próximo do Ca'Pesaro encontra-se o Palazzo Mocenigo, onde funciona o Museu di Storia del Tessuto e del Costume ou Museu de história do Tecido e Costumes. Embora o palácio tenha o nome da família Mocenigo, que foi uma das mais famosas e influentes em Veneza, existem poucas informações sobre a origem do palácio.




Quem vê o exterior do Mocenigo não imagina a riqueza que guarda. Passar por suas salas é como voltar no tempo e se ver em meio à sociedade veneziana do passado. As escadarias, salões nobres, móveis, lustres e obras de arte ilustram diversos aspectos da vida, atividades e costumes dos venezianos entre o século 17/18.


 
Palazzo Mocenigo

Ainda com a estrutura do século 17, atualmente o palácio contém um interessante acervo de indumentárias venezianas do passado. As vestimentas ricamente decoradas e ilustram a atmosfera refinada e luxuosa em que os patrícios da nobreza veneziana viviam. Tudo isso devido aos laços comerciais da República de Veneza com o Oriente, que permitia o fácil acesso às essências e plantas medicinais, tendo por isso se tornado grande produtora de perfumes, sabonetes e artigos de higiene.



Palazzo Mocenigo

Em cinco salas pode-se ver antigos instrumentos de fabricação perfumista. Um percurso conta toda a história do perfume veneziano e traz uma mostra de frascos antigos de perfumes; objetos que parecem verdadeiras obras de arte. Na loja do museu é possível comprar os perfumes de toda a coleção da perfumaria The Merchant of Venice, uma marca veneziana que produz essências maravilhosas cheias de história e com frascos caprichados.




Palazzo Corner della Regina / Fondazione Prada

Nessa região também encontra-se a Fondazione Prada, que tem sede no belo palácio em estilo barroco, o Ca'Corner della Regina. Situado às margens do Grande Canal, na fachada destacam-se as máscaras grotescas que servem como bicas para escoar a água de chuva. O palácio foi projetado em 1720 e construído sobre um antigo palácio onde nasceu em 1454 Caterina Cornaro - rainha de Chipre, Jerusalém e Armênia. Por esse motivo o palácio manteve o nome de Corner della Regina.



 

 


Palazzo Soranzo Cappello

Entre as centenas de palácios existentes em Veneza, algum se destacam por possuírem alguns detalhes diferentes. No Palazzo Soranzo Cappello funciona a Superintendência de conservação de bens arquitetônicos tanto para Venezia, quanto para Belluno, Padova e Treviso.

Situado próximo à Igreja San Simeone, o palácio foi construído no século 16 para servir de residência para a família Soranzo. Ao longo dos séculos passou por vários proprietários, entre eles a família Cappello. Chama atenção os dois obeliscos no teto, mas seu principal atrativo é o belo jardim, que tem uma atmosfera romântica. Ao fundo há um pequeno templo com colunas romanas.



Palazzo Belloni Battagia

Construído em meados do século 17 para ser a moradia da família Belloni, o Palazzo Belloni Battaglia foi ricamente trabalhado usando mármore e obeliscos na fachada. Ao ser concluído, adquiriu muitas características diferentes dos demais existentes no Grande Canal. Seu interior contém belos afrescos e um oratório privativo com belas decorações, sendo atualmente sede de uma repartição pública.



Fondaco dei Turchi

Um palácio de grande destaque no Grande Canal é o Fondaco dei Turchi ou Sindicato dos Turcos, que serviu no passado como entreposto onde os comerciantes muçulmanos descarregavam as suas mercadorias.

Com sua imponente fachada, o prédio foi construído no século 13 para servir de residência da família Pesaro. As torres de canto são semelhantes às estruturas defensivas que faziam parte dos palácios da família medieval.

Em 1381 o edifício foi dado a Nicolò d'Este, Senhor de Ferrara. Depois de passar por vários proprietários, o Fontego foi dado para os comerciantes turcos da cidade. Em 1865 o palácio foi restaurado. Atualmente é a sede do Museu de História Natural, que contém ricas coleções de importantes descobertas e uma biblioteca com 40.000 volumes.




Chiesa San Stae

Bem próximo do Fondaco dei turchi encontra-se a Igreja dedicada a San Eustacchio e Mártires, sendo mais conhecida como Igreja San Stae. Com sua suntuosa fachada barroca, ricamente trabalhada por Domenico Rossi em 1709, já foi algumas vezes local de exposição para Bienal de Artes. 

O interior é finamente decorado ao estilo rococó e com obras de arte de valor inestimável. O presbitério é decorado com telas menores, porém belas e importantes. Não há muitas informações da sua origem, mas sabe-se que que ali já existia uma igreja em 1127. Há uma lápide que indica o mausoléu de alguém da família Mocenigo, da qual foram eleitos sete doges.



Chiesa San Giovanni Battista Decollato

Conhecida popularmente apenas como San Zan Degolà, essa igreja dedicada a São João Batista Decapitado situa-se num dos pontos mais silenciosos da cidade. Fundada no século 8, a igreja foi construída por doações da nobre família Venier.

Trata-se de uma igreja muito antiga com um interior muito simples, cujos documentos tem datas do ano de 1007. Sendo o único exemplar da arte veneto-bizantina, a igreja foi restaurada em diversas épocas. Durante a era napoleônica a igreja foi usada como armazém, o que causou a deterioração das paredes, piso e colunas.

Somente em 1945 o trabalho extensivo da restauração foi empreendido para retornar a igreja à parecido com a sua aparência original, época em que vários afrescos foram descobertos. Por quase 20 anos essa igreja permaneceu fechada, sendo atualmente propriedade da comunidade ortodoxa russa.

Lendas afirmam que a escultura da cabeça de João Batista foi feita a partir dos restos mortais de Biagio Cargnio, um açougueiro que foi decapitado e esquartejado como punição por colocar a carne de crianças assassinadas em suas salsichas e ensopados. Até o século passado a escultura sempre era manchada com lama, uma evidência da implacável memória dos venezianos.




Campo San Giacomo dell'Orio

Atrás do Museu Cívico encontra-se uma simpática pracinha chamada Campo San Giacomo dell'Orio, que tem no centro a Igreja de San Giacomo dell´Orio. Construída no século 13, algumas das colunas dentro da igreja foram trazidas pelos venezianos durante a quarta Cruzada.

Esse local tranquilo guarda a verdadeira identidade veneziana. As árvores convidam para um descanso e para apreciar o bucolismo do lugar, que se renova a cada momento. Muito frequentada pelos moradores per um "dolce far niente", nessa praça as crianças vão brincar no fim da tarde.

Em volta existem agradáveis restaurantes e bares onde se pode degustar um cálice de vinho. Nas épocas mais quentes do quente, a pracinha se transforma numa pista de dança a céu aberto ao som de boleros e tango argentino. Durante a festa de San Giacomo, a pracinha se enche de mesas, onde muitos vão degustar os pratos típicos da laguna.





Chiesa San Nicola Tolentino

Próximo à Piazzale Roma encontra-se a bela Igreja de San Nicola Tolentino, mais conhecida como Igreja dei Tolentini. Com bela fachada decorada com colunas coríntias, essa igreja foi construída originalmente em 1591, mas a fachada só foi concluída em 1706.

Com um lindíssimo interior decorado com pinturas do século 17, é também a sede oficial da Orquestra Mosaico Barroco. Embora seja um pequeno tesouro da cidade, muitos turistas nem sabem de sua existência.

O órgão de tubos construído em 1754 permanece intacto no coro de madeira, adornado por dois lindos querubins em madeira dourada nas laterais. Na igreja estão os mausoléus dos doges da família Canto e do patriarca Gianfrancesco Morosini. No mosteiro anexo à igreja funciona a Faculdade de Arquitetura Ca'Foscari.



Chiesa Sant'Andrea dela Zirada

Chamada apenas "Della Zirada", que em dialeto veneziano quer dizer "curvatura", de acordo com a tradição essa modesta igreja foi fundada em 1329 como o oratório. O convento e a igreja foram reconstruídos em 1475 e restaurados no século 17.

Embora o exterior seja simples, ela tem um luxuoso interior barroco com decoração de estuque. Porém quando Napoleão chegou em Veneza ordenou o fechamento da igreja. Situada ao lado do monotrilho, atualmente serve como estúdio do escultor Gianni Aricò.




Campo Santa Maria Mater Domini

Essa é uma praça agradável para uma caminhada ou para se sentar e apreciar o tempo que aqui parece passar calmamente. Diz a tradição que a atual Igreja de Santa Maria Mater domini escondida em um beco dessa praça foi construída em 1512 sobre uma antiga igreja dedicada a Santa Cristina que foi demolida. Em seu interior estão algumas obras de Tintoretto.


Santissimo nome di Gesú

Essa pequena foi erguida em 1815, época em que várias construções eclesiásticas estavam sendo demolidas. Situada próxima ao Piazzale Roma, atualmente está sendo usada pela Igreja Católica Grega da Ucrânia. Apesar de ser pequena, em seu interior há duas grandes colunas que sustentam a cúpula.



Santa Maria Maggiore

A Igreja de Santa Maria Maggiore foi construída entre 1497/1504, tendo um convento anexo. Em 1805 o local foi usado como quartel, sendo destinado para exercício militar e estábulo para os cavalos. Poucos anos depois houve um incêndio que destruiu o convento e a igreja passou a ser usada como um armazém de uma fábrica de tabaco. Ainda que tenha sido restaurada, ela permanece esquecida...








27 dezembro 2016

Veneza - Sestiere Cannaregio




Cannareggio é o bairro na entrada em Veneza, onde está localizada a estação ferroviária. Devido ao vai-e-vem de moradores e turistas, nesse ponto há muito movimento, porém no resto do bairro paira a tranquilidade.

No cotidiano do bairro é possível estar em contato com a vida diária dos venezianos e seu modo de vida. Embora possa parecer um pouco monótono em comparação com outros bairros, quem passa por Canareggio é surpreendido por interessantes construções,  recantos tranquilos para descansar, áreas históricas, pontos turísticos interessantes, além de bons restaurantes. 



Ponte degli Scalzi

Dentre as dezenas de pontes de Cannaregio, a mais conhecida é a Ponte degli Scalzi ou Ponte dos descalços, também chamada Ponte da Estação ou Ponte da Ferrovia por causa da sua proximidade com a estação ferroviária. Inaugurada em 1934 sobre o Grande Canal, essa ponte de apenas um arco foi construída totalmente em pedra de Istria, no mesmo lugar onde antes havia uma ponte de ferro.





Ponte Chiodo

Algumas pontes em Cannaregio se destacam por suas particularidades. Uma delas é a Ponte Chiodo, que serve como travessia sobre o Rio San Felice. Usada para o acesso a uma casa particular, distingue-se de todas porque é a única ponte em Veneza sem grades laterais. Até o século 19 quase todas as pontes tinham grades. Muitas delas eram de propriedade privada, por isso era cobrado um pedágio para aqueles que quisessem atravessar pela ponte.



Canal de Cannaregio

Da Fondamenta Nuove partem as embarcações que levam até as ilhas de Murano, Burano, Torcello etc. A ligação entre a Fondamenta Nuove até o Grande Canal é feita pelo Canal de Cannaregio, que é o segundo maior canal de Veneza. No passado era por onde chegavam mercadorias e passageiros provenientes do continente.



Ponte Tre Archi 

Segundo contam, o nome do bairro teve origem nesse canal, por ser o "Regio Canale" ou "Canal Real", resultando em Cannaregio. Sobre o canal encontra-se a Ponte delle Guglie reconstruída em 1823 com a adição de 4 obeliscos. Essa é a única ponte em Veneza com este tipo de embelezamento. Outra é a Ponte Tre Archi ou Três Arcos, que é única que tem esse formato. Inaugurada em 1503, supõe-se que no passado tenha existido outras pontes com três arcos, por terem sido retratadas em pinturas.



Strada Nova

Lista di Spagna / Rio Terá San Leonardo

Nas proximidades da estação ferroviária tem início a Strada Nova, que é a principal artéria e a mais movimentada do bairro. Na verdade ela é um rio subterrâneo pavimentado, tendo hoje diversas lojas, hotéis, restaurantes e feiras.

Da estação até a Ponte delle Guglie é chamada Rio Terá Lista di Spagna. A partir da Ponte delle Guglie muda para Rio Terà San Leonardo. Além de um mercado muito animado, que tem um pouco de tudo, frutas, legumes e muitas máscaras venezianas, há belíssimos palácios.



Palazzo Contarini ou Ca'Doro
Palazzo Contarini ou Ca'Doro

Palazzo Contarini ou Ca'Doro

Caminhando por  Cannaregio pode-se encontrar esplêndidos palácios que pertenceram a nobres famílias de Veneza. Um deles é o Palazzo Contarini, mais conhecido como Ca'Doro porque tinha relevos em sua fachada rendilhada cobertos com folha de ouro.

Construído entre 1421/1440 às margens do Grande Canal, foi adquirido no século 15 pela família Contarini, que tinha grande prestígio em Veneza. Em 1847 um príncipe russo comprou o edifício e realizou diversas mudanças, mas o proprietário sucessivo restaurou o palácio seguindo o projeto original.

Ao longo de sua história o palácio passou por diversas modificações, porém foram mantidas as antigas decorações. Na entrada o pátio interno é decorado com um impressionante mosaico. Em suas instalações existe uma bela coleção de arte, com numerosas pinturas, esculturas, peças artesanais e tapetes.



Palazzo Ca'Vedramin / Cassino Royale de Veneza

Outro belo palácio situado às margens do Canal Grande é o Ca'Vendramin, onde funciona o Casino Royale de Veneza que atrai muitos turistas oferecendo entrada e serviço de transporte gratuitos.

Construído em 1509, o espaçoso palácio no estilo renascentista serviu como residência para famílias nobres antes de se tornar uma casa de jogos em 1638. No nível inferior duas portas francesas bem altas são divididas por uma coluna. No nível superior, as janelas são arqueadas em forma de trevo. Pinturas, esculturas e lustres decoram o interior do palácio.

Local de encontro de famosas personalidades, até hoje só é permitida a entrada no elegante salão de jogos frequentadores que estejam trajados de terno e gravata. Além de jogos de cartas, roletas, caça níqueis e outros jogos, o cassino oferece jantares e atrações musicais.

Um de seus frequentadores assíduos foi o compositor alemão Richard Wagner, que morreu no Casino após um súbito ataque cardíaco aos 69 anos. O compositor alemão visitou Veneza seis vezes, desde 1868 até sua morte em 1883. No cassino há uma das maiores coleções de suas obras, juntamente com registros, cartas assinadas e outras relíquias do compositor.

É a casa de jogos mais antiga do mundo, tendo mantido inalterado seu encanto. Certa vez o casino serviu de cenário para filmes de James Bond, mas em 2010 a cena foi real. O cassino foi invadido por um grupo de cinco bandidos encapuzados e armados, que roubaram mais de 100 mil euros, conseguindo escapar numa espetacular fuga usando uma lancha. 


Palazzo Grassi

Palazzo Grassi

O belo Palazzo Grassi, que tem destaque no Grande Canal, se diferencia dos demais por seu estilo clássico. Tendo pertencido à família Grassi, o soberbo palácio passou por vários proprietários até ser adquirido pelo empresário francês François Pinault, que transformou o palácio numa galeria onde encontra-se em exposição sua coleção de arte particular.  


Palazzo Lezze

Palazzo Lezze

Situado na Fondamenta Misericórdia, o Lezze é um dos palácios mais antigos de Veneza. Construído entre 1611/1617, o palácio tem o nome de John De Lezze, um importante político que se dedicava à construção naval.

Falecido em 1624, John foi influenciado por vários hermetistas da corte de Charles V, tendo por isso mandado colocar alguns relevos de natureza alquímica na lateral do palácio. Isso deu ao palácio a fama de "Residenza Filosofal".

Entre os séculos 16/17 a alquimia foi muito difundida em Veneza, sendo possível ainda hoje encontrar alguns símbolos nas decorações. Quando Veneza foi invadida pelas tropas napoleônicas, esse foi um dos primeiros palácios saqueados pelas  tropas napoleônicas.




Palazzo Labia

O Labia é um dos palácios mais imponentes de Cannareggio. Construído entre 1685/1720 às margens do Canal de Cannaregio, o palácio pertenceu à família Labia que se estabeleceu em Veneza em meados do século 16. Em estilo barroco, o palácio possui uma rica decoração, com belos afrescos pintados por Tiepolo com cenas da vida de Cleópatra.

Membros da família Labia eram ricos mercadores catalães, tendo sido reconhecidos como nobres depois de pagar uma grande soma de impostos para financiar a guerra de Heraklion. Gostavam muito de ostentar riqueza e não poupavam esforços para impressionar a aristocracia veneziana.

Segundo contam, certa vez Paolo Labia serviu a seus convidados um jantar em placas de ouro, mas a ostentação não parou por aí. Quando terminou o jantar ele atirou toda a louça pela janela, talvez para demonstrar sua imensa riqueza. Porém dizem que seus servos já tinham sido colocados de prontidão com barcos e redes para recolher o valioso material.




Palazzo Savorgnan / Palazzo Vernier

Dentre os belos palácios às margens do Canal de Cannaregio, tem destaque o Palazzo Savorgnan. Na parte posterior o prédio existe um belo jardim, que foi juntado com o jardim do Palazzo Venier e transformado num parque público.

Construído no século 17 para a nobre família Savorgnan, em 1788 o prédio foi destruído por um grave incêndio. Em seu lugar surgiu uma nova construção, sendo atualmente sede do Instituto Técnico para o Turismo. Entre as centenas de palácios, encontra-se belas igrejas grandes ou pequenas, que são parte da história de Veneza.



Chiesa degli Scalzi

Existem em Cannaregio cerca de trinta igrejas, tendo algumas maior destaque devido aos detalhes de sua arquitetura, decoração ou por ter sido cenário de acontecimentos importantes. Uma delas é a Chiesa degli Scalzi ou Igreja dos Descalços, que é dedicada a Santa Maria de Nazaret. Situada às margens do Grande Canal nas proximidades da estação ferroviária, essa igreja construída no século 17, tendo um belo afresco feito por Giambattista Tiepolo em 1743 intitulado "Loreto casa".

Bombardeios durante a Primeira Guerra Mundial trouxeram muitos danos à igreja, tendo sido totalmente reconstruída, mas sem a decoração inicial. Na fachada em estilo barroco veneziano imagens de santos preenchem os nichos. Com um altar-mor decorado com esculturas e mármore, a igreja é considerada um monumento nacional. Numa das capelas estão os restos mortais de Ludovico Manin, o último Doge de Veneza. 



Chiesa San Geremia/Santa Lucia

No encontro entre o Grande Canal com o Canal de Cannaregio está a Igreja de San Geremia e Santa Lucia, que contém em seu interior diversos relíquias valiosas relacionadas com a Paixão de Cristo. Algumas delas são: a mão de Judas e o saco de moedas, o galo de San Pedro e o jarro de água com o qual Pôncio Pilatos lavou suas mãos antes da crucificação.

No passado a igreja original de Santa Lucia foi demolida para a construção da estação ferroviária, o que é lembrado por uma placa em frente aos degraus da estação. Por isso essa igreja também é dedicada a Santa Lucia.


Igreja Santa Maria Madalena

Chiesa Santa Maria Maddalena

Chamada de La Maddalena, essa igreja chama atenção por sua forma redonda. Com altas colunas na fachada, dizem que em 1222 já existia nesse local uma pequena igreja, que foi ampliada para celebrar a festa de Santa Maria Madalena. Ao ser restaurada em 1780, seu projeto foi inspirado no Panteão de Roma.

Situada próximo ao Grande Canal, na fachada existe um portal decorado com símbolos maçônicos, uma provável ligação com os templários.  A tradição simbólica considera que Madalena tenha sido uma grande amiga de Jesus, por isso ela é associada à  Iniciação Secreta e detentora dos conhecimentos esotéricos vedados à Humanidade comum.

A maçonaria esteve muito ativa em Veneza até 1686, ano em que foi interditada devido às suas atividades que eram consideradas suspeitas pela República de Veneza. Somente em 1729 a maçonaria teve suas atividades reiniciadas, depois que o Grão Mestre de Londres esteve em Veneza.




Chiesa de Santa Fosca

Um pouco adiante de La Maddalena, encontra-se a Igreja de Santa Fosca, que foi construída originalmente no século 10 e reconstruída várias vezes. Em 1733 a nobre família Donà financiou a última reforma, dando origem à atual fachada.  As decorações internas foram feitas nos séculos 17/18.

Situada no Campo de Santa Fosca, no centro da praça existe um monumento dedicado a Paolo Sarpi, que era versado em diversos conhecimentos. O grande teólogo, astrônomo, matemático, físico, anatomista, escritor e cientista, político e escritor viveu em Veneza entre 1552/1623.


 
Igreja San Marcuola
Igreja San Felice

Igreja Santa Sofia
ex-Igreja San Leonardo

Nas proximidades de Santa Fosca encontramos outras igrejas menores, como a Igreja de San Marcuola, a Igreja de San Felice, a Igreja de Santa Sofia e a ex-Igreja de San Leonardo que foi transformada em Centro Cultural.



Chiesa Santi Apostoli

Fundada em 643, reza a lenda que a Igreja Santi Apostoli foi erguida no mesmo lugar onde teria aparecido os doze apóstolos. Situada nas imediações da Strada Nova, essa é uma das igrejas mais antigas de Veneza. As diversas restaurações acabaram por mudar sua estrutura externa. No alto da torre destaca-se o relógio de 24 horas adornado com um sol, mas é entrando na igreja que se pode fazer interessantes descobertas.

No interior destaca-se a magnifica decoração com paredes revestidas de mármore verde e branco, além de várias obras de arte. Três imagens retratam arcanjos que não aparecem na biblia: Sealtiel, Uriel e Baraquiel. Sealtiel trazendo uma cornúpia seria o portador da abundância e prosperidade. Uriel, o guardião das portas do paraíso, seria do defensor contra o mal. Baraquiel, o abençoado por Deus, ser o arcanjo da bondade divina.



Chiesa San Giovanni Crisostomo

Situada junto ao Campo San Giovanni Crisostomo, essa igreja foi erguida num dos lugares mais populosos de Cannaregio. Em seu interior existe um santuário dedicado à Maddona delle Grazie ou Nossa Senhora das Graças. Durante os bombardeios da primeira guerra mundial apenas a fachada foi danificada. No entanto, por ser uma construção muito antiga, a igreja foi demolida em 1525 dando origem a uma nova igreja. Várias obras de arte decoram essa igreja.





Chiesa dei Miracoli ou Igreja dos Milagres

Essa é uma das igrejas mais bonitas de Veneza. Nas águas do canal pode-se ver o reflexo dos mármores branco e rosa da fachada. Chamada de Casamata, devido à bela decoração muitos casais escolhem essa igreja para celebrar seu casamento.

Para os venezianos católicos essa igreja tem importância histórica, pois os primeiros fiéis a vir ao local eram peregrinos que traziam oferendas para um ícone de Maria a quem atribuíam milagres, inclusive o de ressuscitar um afogado. Foi construída entre 1481/1489 em honra de Santa Maria dos Milagres, cuja imagem permaneceu por muitos anos num oratório à beira de uma rua.

Situada numa pitoresca praça de Cannaregio, sua alta torre se destaca na paisagem. O teto tem 50 quadrados, cada um com a pintura de um profeta trajado como veneziano. A escadaria de mármore tem corrimões entalhados com figuras de Maria e anjos. Do alto a luz penetra por cima do altar-mor, criando um foco sobre a imagem de Santa Maria dos Milagres.


Igreja Santa Maria Assunta ou dei Gesuiti
Igreja Santa Maria Assunta ou dei Gesuiti

Igreja Santa Maria Assunta ou Chiesa dei Gesuiti

Popularmente conhecida como Chiesa dei Gesuiti, a suntuosa Igreja Santa Maria Assunta contém uma magnífica decoração. Situada junto à Fondamenta Nuove, o campanário se destaca, mas é fachada que prende atenção.  Decorada com colunas, no alto há esculturas que representam os 12 apóstolos. As outras esculturas referem-se a São Pedro, São Paulo, São Tiago Maior e São Mateus Evangelista.

O interior é belíssimo. As paredes são revestidas com afrescos que se estendem até o teto. Nesta igreja estão as imagens dos arcanjos que não aparecem na Bíblia: Ealtiel, Uriel e Baraquiel. Sealtiel segurando a cornucópia traria prosperidade. Uriel o guardião das portas do Paraíso seria o defensor contra o mal e Baraquiel ou Bênção de Deus seria o arcanjo da bondade divina.




Chiesa San Marziale

Situada numa área isolada, a Igreja San Marziale tem uma aparência austera, com a fachada desprovida de qualquer decoração. O interior tem uma decoração em estilo barroco, afrescos e molduras douradas.  Construída inicialmente no século 9, foi remodelada no século 12. Diz a lenda que em 1286 uma imagem da Virgem com o Menino esculpida em um tronco de madeira foi transportada pelas águas e parou diante da igreja. Ao se recolhida, foi trabalhada com molduras.

Durante uma reforma, a intenção era destaca-la de todas as outras fraternidades, porém acontecimentos nefastos, como guerras, fome e pestes impediram que a obra fosse concluído. Tudo isso fez com que a igreja fosse conhecida por estar relacionada com acontecimentos nefastos.

Nas proximidades da igreja sempre aconteciam combates entre as facções de Nicolotti e Castellani, algo que não passava de alguns confrontos sobre a Ponte dei Pugni ou Ponte dos Punhos, que resultava em simples banhos no canal. Porém em 1545 o confronto  foi mais sanguinário. Durante o confronto as facções desembanharam suas espadas, causando uma desastrosa luta que resultou em muitas mortes.

Em 1575 um veneziano hospedou na igreja um parente vindo de Trento, que veio a falecer poucos dias depois. Sem se preocupar com as causas da morte o falecido foi enterrado, até que alguns dias depois outras pessoas vieram a falecer. Começava em Veneza uma terrível epidemia que se espalharia por Veneza e causaria a morte de centenas de pessoas.

Em 1721 a igreja foi consagrada. Porém em 1806, quando Veneza foi invadida pelas forças napoleônicas, a igreja foi convertida num galpão para uso militar, momento em que suas notáveis pinturas desapareceram misteriosamente.


Chiesa Sant'Alvise

Chiesa Sant'Alvise

Situada num recanto perto da Fondamenta Nuove, uma visita à essa igreja proporciona uma agradável experiência de estar num dos lugares mais autênticos e mais secretos de Veneza. Em estilo gótico e de aparência singela, ela surpreende por seu interior todo trabalhado com impressionantes afrescos.

O atual formato dessa igreja resultou de várias alterações. Local de muita tranquilidade, diz a tradição que em 1388 Antonia Venier, uma nobre da aristrocracia veneziana  recebeu em sonhos a visita de Sant Louis, bispo de Toulouse, que ordenou a construção da igreja junto com um mosteiro.

Igrejas diversas

Nessa região encontra-se ainda a Igreja de San Giobbe, Igreja de Santa Maria Misericórdia, Igreja Santa Maria dei Redentore, também chamada de Capuchinhos. Apesar de terem fachada simples, essas igrejas tem valor histórico e religioso. Outras são a Igreja Santa Maria dele penitenti, a Igreja bonaventura e a Igreja de San Girolamo.



Presentazione di Maria al Tiempio (1552-53) Tintoretto

Chiesa Madonna dell'Orto

Afastada dos roteiros turísticos comuns encontra-se a Igreja della Madonna dell'Orto, uma das mais belas de Veneza e mais conhecida dos turistas. Sua fachada contém elementos góticos e imagens dos 12 apóstolos. 

A igreja original de 1350 era dedicada a São Cristóvão, padroeiro dos viajantes, marinheiros e gondoleiros, mas passou a ser dedicada também à santa protetora dos cuidadores das hortas, jardins e pomares, sendo por isso nomeada como Madonna dell'Orto.

Concluída em 1483, seu campanário é admirável. Com rendilhados brancos feitos com pedra da Ístria sobre tijolos vermelhos, essa igreja é tão linda por fora como rica por dentro. Nessa igreja estão os restos mortais do grande artista Tintoretto, onde encontram-se várias de suas obras.



Campo dei Mori

Bem próximo da Igreja Madona dell'Orto encontra-se a curiosa praça chamada Campo dei Mori ou Campo dos Mouros, que contém estátuas de mercadores com turbantes. Popularmente eles estão associados com a família Mastelli, comerciantes gregos provenientes do Peloponeso, que foram chamados de Mouros.

No passado criou-se uma lenda de que tocando o nariz de um dos mouros seria possível adquir riqueza. Isso levou tantas pessoas a acreditar no boato, que o nariz da estátua teve de ser substituído por um nariz de metal. Dizem que na realização de um negócio com os irmãos Mastelli, uma senhora se sentiu enganada. Por isso a senhora rogou à Santa Maria Maddalena para castigar os três irmãos desonestos. Graças ao pedido, eles foram transformados em estátuas de pedra.


Palazzo Mastelli

Palazzo Mastelli

Nas imediações do Campo dei Mori encontra-se o Palazzo Mastelli, também chamado de Palácio do Camelo por ter na fachada camelo, estando relacionado a uma antiga lenda. Segundo contam, um rico comerciante mandou chamar sua esposa para encontrá-lo em Veneza. E para que o encontrasse, ele lhe escreveu: "Basta olhar para uma casa que lembra da sua terra..."




Esoterismo/misticismo em Cannaregio

Veneza é uma cidade mágica, mas também mística e esotérica. Isso pode ser observado em diversos detalhes presentes nas fachadas dos palácios e igrejas. Aliás sabe-se que muitos magos, bruxos e alquimistas estiveram na laguna, cujos vestígios podem ser observados nos símbolos astrológicos e em outras imagens. Em alguns lugares existem esculturas que trazem mensagens esotéricas, uma delas é a estátua do Homo Silvanus - deus romano dos bosques, presente na fachada do Palazzo Bembo situado no Campiello Santa Maria Nova.

Muitas crendices do passado foram perpetuadas por alguns alquimistas, que aproveitavam da ingenuidade do povo. Uma delas é a Teriaga, uma panaceia para a cura de todos os males. Acreditava-se que essa famosa preparação farmacêutica teria virtudes milagrosas, pois curava mordidas de cães e picadas de cobras, além de ser um poderoso tônico para os olhos, fígado, rins, e servir para tratar insônia, angina, febres malignas, cólicas, hemorróidas, tosse, infecções . Também acreditava-se que podia ser um poderoso remédio para combater a lepra, a peste, impedir a loucura e despertar o apetite sexual.

Entre os séculos 16/18 muitas preparações foram feitas com carne de víbora e venenos de animais peçonhentos, além de ópio, alcaçuz, anis, pimenta, açafrão, mirra, tomilho, canela, incensos, poeira de múmia e outros componentes. Segundo contam, na Farmácia "Alle Colonne" ainda existe uma grande pedra, onde dizem ter sido usada na antiguidade para fazer um remédio que curava tudo. Na verdade esse remédio continha ópio e alcaçuz o que não propicia a cura, mas fazia com o que doente esquecesse de sua saúde frágil...


Gueto hebraico

Gueto Hebraico

Em Cannaregio está o primeiro Gueto do mundo, onde viveram os judeus desde 1300 até a  Segunda Guerra Mundial. Essa área recebeu o nome de Gueto por causa de uma oficina de fundição que era chamada de “geto”. Posteriormente esse nome foi dado a qualquer erritório judeu pelo mundo.

Em Veneza existem dois ghettos: um novo e um velho, cada um de um lado do canal. No início o gueto tinha apenas duas entradas vigiadas por guardas, que eram fechadas entre o pôr e o nascer do sol, isso porque havia a proibição dos judeus misturar-se com a população cristã. Somente em 1516 os judeus adquiriram o direito de transitar pela cidade.

Como não tinham muito espaço para construir, os prédios foram sendo construídos com 6/7 andares, originando os primeiros arranha-céus da época. Em 1797 os portões do gueto foram demolidos por ordem de Napoleão, até que eles obtiveram plenos direitos como cidadãos após a unificação da Itália. Após a Segunda Guerra Mundial a maioria dos judeus foi deportada para campos de concentração em toda a Europa.


Gueto Hebraico
Sinagoga - Gueto hebraico

Atualmente nesse local de lembranças sombrias vivem poucos judeus, que mantém vivas as suas tradições. O Memorial mostra o extermínio dos judeus nos campos de concentração. Uma placa lembra que essa agonia jamais deverá ser esquecida. Além do Museu hebraico existem lojas de artigos da cultura judaica, um restaurante kosher e três sinagogas, que podem ser reconhecidas pela presença de 5 janelas alinhadas, como os livros da Torà.





Casa de Tintoretto

Um morador ilustre de Veneza foi Jacopo Robusti, o famoso artista que ficou conhecido como Tintoretto (pequeno tintureiro), por ser filho de um especialista em tintura de seda, podendo ainda encontrar em Cannaregio a casa onde Tintoretto viveu.

Em 1548, com quase 30 anos, Tintoretto teve sua reputação profissional estabelecida devido a uma série de cenas mitológicas no Palácio de Doge. Uma de suas mais admiráveis obras é "Paradise", que tem cerca de 7 x 22 metros. Também adornou também palácios, capelas e igrejas, tal como o teto da Igreja Santa Maria Dell'Orto onde se encontram seus restos mortais.

Falecido em 1594, o artista legou à humanidade exuberantes obras de arte que estão em diversos museus pelo mundo. Belas obras de Tintoretto encontram-se na Scuola Grande di San Rocco, considerada a Capela Sistina da pintura veneziana, assim como nas igrejas de San Trovaso e San Marcuola.



Teatro Malibran

Apaixonados por jogos e diversão, principalmente durante o século 17 e ao longo dos séculos, os venezianos fizeram surgir muitos teatros, casas de ópera e cassinos. Quase todos os teatros venezianos eram de propriedade de famílias patrícias importantes, que uniam negócios com o prazer. i assim que surgiu o Teatro Maliban.

Construído no século 17 e inaugurado em 1678, devido à proximidade com a igreja era chamado de Teatro San Giovanni Crisostomo. Logo o Maliban se tornou conhecido como o maior, mais bonito e mais rico teatro na cidade. Ricamente decorado em seus cinco níveis, seu sucesso teve curta duração.

Com raras apresentações entre 1751/1800, foi restaurado em 1819. Quando a famosa soprano Maria Garcia Malibran se apresentou no teatro em 1834, ficou muito chocada com a condição da estrutura e fez uma doação para a recuperação da casa de ópera. A partir de então, passou a ser conhecido como Teatro Maliban.

Em 2001 foi reinaugurado, sendo um centro de produção experimental que trabalha em parceria com as principais escolas de arte de Veneza: a Academia de Belas Artes, o Conservatório, o Ca'Foscari e IUAV, para dar uma oportunidade aos jovens para expressar sua criatividade. É uma das casas de ópera mais lindas da Itália.



Casa de Marco Polo

Atrás do Teatro Maliban encontra-se a Seconda Corte del Milion, local onde dizem ter sido a Casa de Marco Polo. O nome da Corte Seconda del Milion vem do "Livro do Milhão", que foi ditado por Marco Polo para Rustichello de Pisa em Gênova durante o seu cativeiro. Também chamado de "As Viagens de Marco Polo", "O Livro das Maravilhas" ou "A descrição do mundo", foi em seu tempo um best-seller.

Existem hipóteses de que muito antes de Cabral, os fenícios, vikings, africanos, genoveses e venezianos já teriam chegado até as Américas. No relato de suas fantásticas e verdadeiras aventuras, que encantou a muitos durante séculos, Marco Polo fez a narrativa de uma viagem feita ao longínquo Oriente durante 24 anos.

Retornando a Veneza em 1295, além de estarem bem mais velhos, Marco, seu pai Niccolò e seu tio Matteo vestiam trajes miseráveis. Ao chegarem em casa não foram reconhecidos por seus compatriotasm, pois quando partiram Marco Polo era apenas um jovem de 17 anos e os parentes já consideravam que todos estavam mortos.

Marco Polo (1254/1324)
Todos queiram saber sobre a longa viagem e os três viajantes convidaram parentes e amigos para um banquete. À noite eles surgiram vestidos com roupas de cetim violeta e seda estampada. Da barra dos seus trapos, fizeram tombar uma grande quantidade de jóias de um valor inestimável, contendo rubis, safiras, granadas, diamantes e esmeraldas.

A partir daquele dia, muitos curiosos iam à casa da família Polo em uma pequena praça perto da ponte do Rialto. Com bastante complacência, Marco relatava suas extraordinárias aventuras e descrevia os lugares que tinha percorrido. Naquela época as navegações se guiavam apenas pelo conhecimento das constelações, por isso os viajantes não conseguiam distinguir todos os locais por onde estiveram.

O extremo Oriente não era desconhecido pelos venezianos, pois suas galeras traziam de Alexandria carregamentos de especiarias vindos de Cantão, transportados por navios árabes até as costas do mar Vermelho. Entretanto, o ceticismo dos venezianos provinha dos relatos de Marco, dessas riquezas incríveis que, segundo ele, teriam vindo da China.

Algum tempo depois, ao participar de uma batalha naval entre venezianos e genoveses, Marco Polo foi preso e levado para um cativeiro em Gênova onde ficou por três anos. Foi ali que ele conheceu Rustichello de Pisa, que se interessou apaixonadamente por suas histórias e se propôs a escrevê-las.

Rustichello era um homem de letras e conhecido por ter escrito vários livros, mas por ser um romancista e autor de belas histórias lendárias, seus leitores ficaram na dúvida sobre a veracidade dos relatos compilados.

O que se sabe é que "O livro das Maravilhas", também conhecido como "A descrição do mundo", foi em seu tempo um best-seller, fato testemunhado pela quantidade considerável de manuscritos que se conservaram até nossos dias.

Se o livro inspirou contistas e poetas, jamais foi utilizado por sábios. Embora tivesse o enfoque de entretenimento, certo dia Cristovão Colombo resolveu utilizar os relatos para fins práticos. Existe ainda em Sevilha o exemplar de um resumo do livro de Marco Polo impresso em Antuérpia em 1485, cujas margens estão recobertas de anotações feitas por Cristóvão Colombo, quase todas relacionadas a ouro, pedrarias e especiarias.

Quando soube que havia descoberto o Novo Mundo, Colombo ficou surpreso mas também indignado, pois usando o livro de Marco Polo ele queria chegar até o Oriente. Apenas no século 19 a obra de Marco Polo foi reconhecida por seu caráter científico e confirmado o valor de suas informações. Foi assim que Marco Polo, subitamente passou, de fantasista à pesquisador bem informado...







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Quem sou

Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.